LAGOS DO SUL

Bariloche

Um dos mais visitados points do inverno da América Latina, célebre por suas estações de esqui, no verão é o paraíso para práticas de esportes de aventura e principalmente o mountain bike.

San Carlos de Bariloche está encravada no coração do Parque nacional Nahuel Huapi, fica na Patagônia Argentina, na província de Rio Negro, a 1600 quilômetros da capital Buenos Aires. Perto da Cordilheira dos Andes e da fronteira com Chile, a cidade está a 764 metros do nível do mar, numa área protegida, o Parque Nacional Nahuel Huapi, maior do país é mais antigo da América do Sul. É banhada por um imenso e sinuoso lago também com o nome Nahuel Huapi. Tem ilhas de características diversas uma das mais conhecidas a Ilha Victoria, onde a atração é o bosque de arraianes, uma árvore de 20 metros de altura com troncos na cor de canela, de incrível impacto visual. Mais profundo entre todos os lagos andinos - chega a ter 464 metros -, o Nahuel Huapi não se congela nem nos rigorosos invernos, quando a neve pode de repente tomar conta de tudo e as temperaturas chegarem a 20 graus negativos. Fora do inverno, quando o branco reluzente e sem fim abre alas para tonalidades vibrantes e cheiros silvestres, o frio dá uma trégua para temperaturas de até 25 graus e a peruagem das madames, patricinhas e mauricinhos concede território a mochileiros sequiosos por intensas experiências esportivas e culturais. O lugar tem opções variadas de esportes como o trekking, cavalgadas, rafting, canoagem, escaladas e o que mais se destaca no grande número de praticantes é o mountain bike.
Montanhas brancas de neve, lagos verde, céu azul intenso, flores. A variedade de paisagens destas terras é uma combinação perfeita para pedaladas de todos os tipos e para todos os níveis. Mountain Bike, Cicloturismo ou Speed,tudo isso é possível por lá. Nas ruas, nas estradas ou nas trilhas encontramos muita gente pedalando. Poucos lugares no mundo têm tantas opções para pedalar como em Bariloche.

Nossas Pedaladas

Durante a Caloi Bike Expedição Patagônia 2004, organizada pelo Sampa Bikers dos sete dias de pedal, ficamos apenas três dias em Bariloche onde foi possível percorrer as mais conhecidas trilhas locais. Depois seguimos rumo a uma incrível Travessia entre Villa la Angostura a San Martin de los Andes, que estaremos publicando na próxima edição.
A patagônia é um lugar fabuloso, tem roteiro lá para todos os dias pelo menos um mês, três dias apenas nos deu uma certeza: vamos ter que retornar no próximo ano.
No primeiro dia de pedal, seguimos em nossa van até o teleférico do Cerro Oto, bem próximo do centro da cidade, onde subimos com os teleféricos com as bikes até o alto dessa montanha (1600 m). De lá despencamos morro abaixo por estradinhas e singles tracks incríveis na mata fechada. Vez por outra, de repente em nossa frente despontava uma maravilhosa paisagem que se abria e enchia nossos olhos de muita beleza. O final dessa pedalada foi em uma gostosa praia às margens do majestoso Lago Gutierrez.
O mesmo Lago Gutierrez foi nosso ponto de partida para a pedalada do segundo dia. Seguimos por uma agradável estrada toda florida, riqueza de cor quando a neve vai embora. Ao redor dessas árvores multicoloridas, os notros, árvores altas, mancham de lilás as montanhas. E a estrada que dá acesso a esta paisagem está bordada de matizes amarelos - graças as retamas, flores cujas primeiras mudas vieram da Espanha - e roxos, dos nativos lupinos, no horizonte,ovelhas na estepe de terra. Esse extraordinário caleidoscópio, presente não apenas nos lagos, montanhas e estradas, mas em qualquer ponto onde se diririja o foco, é ainda desconhecido dos 15 mil brasileiros que visitam San Carlos de Bariloche.
Seguimos por 8 km, acompanhado de todo esse visual deslumbrante. No inicio, o lago que nos acompanhou a nossa esquerda, durante a primeira subida e das montanhas do Cerro Catedral na descida, lindo. Chegamos até a base deste Cerro, onde está localizada a principal estação de esqui de Bariloche. Lá fizemos um lanche e seguimos para a segunda parte de nossa pedalada. 20 km mais, e o que é melhor só de single track, inesquecível, até então o melhor single track de minha vida.
No terceiro e último dia estávamos muito empolgados com a beleza e o tesão de pedalar naquele lugar tão maravilhoso. Nossos guias locais diziam que o terceiro dia seria a melhor trilha de todas, devido ao dia anterior achava meio difícil uma trilha melhor ainda que a que havíamos feito. Mas amigos, o nosso último dia em Bariloche foi inesquecível.
Viajamos mais de 1 hora até chegar ao local de saída do passeio, uma estradinha de terra no meio do nada em com um rio ao lado da estrada.O Rio Manso, como é conhecido nasce no monte tronador e arrasta da Cordilheira dos Andes o sulfato de cobre, um decantador natural que deixa suas águas esmeralda transparentes, com visibilidade até 8 metros abaixo. É o fenômeno que acontece nos lagos da região, como o Gutierrez.
A estradinha de terra seguia em frente. Atravessamos o rio por uma ponte pênsil muito legal. A área do outro lado do Rio fazia parte do parque nacional Nahuel Huapi, uma imensa área totalmente preservada. A poucas construções existentes são centenárias, sem luz elétrica e por se localizarem dentro da área do parque não podem ser vendidas, tem que passar de pai para filho. Em alguns trechos encontramos algumas construções abandonadas por famílias sem herdeiros. Foram 25 km de single Track, impossível descrever tamanha beleza e gostosura de pedalar lá. A trilha quase sempre ao lado do rio, corta um verdejante bosque de árvores portentosas, é impossível imaginar que dali a menos d e80 quilômetros a leste a paisagem transfigura-se para um filme de bangue-bangue, a Estepe Patagônica - não por acaso perambularam em fuga por estas terras, no início do século, os célebres bandidos norte-americanos Butch Cassidy e Sundace Kid. (próxima edição - Villa la angostura a San Martín de Los Andes).
A pedalada terminou em um camping, ponto de partida, de muitas travessias de rafting, onde as corredeiras recebem a classificação de nível 5. A trilha ainda seguia em frente por mais uns 20 km até o Chile. Ficamos com aquele gostinho de quero mais e a certeza que no próximo ano estaremos de novo desbravando as maravilhosas trilhas da Patagônia.

Villa la Angostura à San Martin de Los Andes

Após três dias de belas pedaladas em Bariloche a Expedição Caloi Bike Patagônia 2004 seguiu rumo a Villa Angostura. Com pouco mais de 10 mil habitantes, Villa la Angostura é uma bonita vila de montanha, situada no sul da província de Neuquén, no coração dos lagos do parque do nacional de Nahuel Huapi.

Essa vila de arquitetura muito agradável, com os edifícios situados geralmente sobre as praias banhadas pelo Nahuel Huapi. É um lugar da beleza deslumbrante, rodeado por montanhas com uma topografia tipicamente cordilherana, onde três montanhas ou cerros como são chamados se destacam: Bayo, Inacayal e Belverde.
No inverno faz bastante frio onde o atrativo fica para os esportes de neve como o Sky e Snoboard. Mais é no verão, que a cidade oferece as mais diversas atividades para o turismo como esportes náuticos, pesca, montanhismo, cavalgadas, passeios de jeeep e muita opção para o mountain bike, com as mais diversas opções de trilhas. Uma coisa que chamou a atenção foi à quantidade enorme de cicloturistas realizando viagens paela região ( ou mesmo atravessando os Andes para o lado Chileno.)
Antes de fazer a Travessia Villa la Angostura a San Martin de Los Andes ficamos dois dias nessa simpática cidade onde realizamos duas pedaladas inesquecíveis. A primeira foi à descida do Cerro Bayo, um completo e bonito centro de Sky. Subimos com nossas bikes no teleférico até o topo da montanha (1700 metros de altitude), lá de cima uma vista maravilhosa do lago Nahuel Huapi. Foram 20 km de descida até o centro da cidade. Em alguns trechos éramos obrigados a botar a mão no freio para admirar a tamanha beleza local.
No segundo dia seguimos até o parque nacional de Arrayanes, o único lugar no mundo onde é encontrado esse tipo de árvore, com o tronco na cor de canela. Mais uma pedalada inesquecível nos 24 km (ida e volta) de single Track no meio da mata. O parque dos Arrayanes é bastante organizado, é cobrada uma taxa de aproximadamente 10 pesos (10 reais) durante o caminho encontramos caminhantes e mountain bikers dos mais diversos lugares. A todo instante temos que ficar atentos para não encontrar de frente uma bicicleta no sentido contrário. Na cidade é possível alugar bons modelos de mountain bike. Apesar de curto o caminho não é dos mais fáceis, pois algumas subidas são de queimar as pernas. Durante nossa pedalada ajudamos muitos ciclistas despreparados e até passando mal. Mas vale a pena o esforço físico.
No terceiro dia deixamos a simpática cidade para traz e seguimos de van até Villa Traful, inclusive vale muito a pena fazer esse trecho de bike.
Localizado as margens do lago Traful, distante 60 quilômetros de Villa la Angostura, com suas praias naturais, a aconchegante vila de mesmo nome do lago tem aproximadamente 300 habitantes. O lugar é conhecido por ser uma excelente zona para pesca esportiva (fly Fish). O lugar também possui uma boa infraestrutura turística com hotéis, pousados, campings e restaurantes. Seguimos pela estrada de Terra, que margeia o lago (aliás, de um azul impressionante). 4 km dali em direção a Confluência chegamos ao Mirador Del Traful, um mirante de onde podemos observar o lago por diversos ângulos com destaque para o Pico Traful que se destaca ao fundo com mais de 2 mil metros de altitude.Seguindo em frente à paisagem aos poucos se se transfigura, num cenário que parece bem apropriado para cenário de filme do Velho Oeste, a Estepe Patagônica. Pedras, agressivos arbustos rasteiros, montanhas nuas e muito vento são os componentes básicos da estepe. Após 37 quilômetros de pedal chegamos a Confluência onde ficamos hospedados no único local disponível, uma aconchegante pousada no alto do morro. A vista era uma beleza só.

No último dia de pedal seguimos rumo a San Martin de Los Andes, distante a 90 km dali. De início seguimos por um longo trecho plano em meio à estepe patagônica, cada curva uma surpresa com a paisagem rochosa formando esculturas naturais enchendo nossos olhos de beleza. Para completar a cena, a trilha sonora é o zumbido agudo dos portentosos álamos que se curvam aos ventos sem fim. Veio então a tão esperada subida de 11 km. Sob um sol escaldante na cabeça a subida foi bastante dura, o que nos animava ? Os 20 km de descida que vinha pela frente. Valeu a pena. No fim da descida paramos para um lanche e descanso. O mais difícil ainda estava por vir : muito vento contra até o fim, na pequena Villa Meliquina, parte final de nossa etapa, em frente ao imponente lago de mesmo nome. Lá colocamos as bikes na van e seguimos rumo a San Martin de Los Andes, distante uns 30 quilômetros dali.

Localizado na costa oeste do lago Lacar, San Martin de Los Andes está a 635 metros de altitude. Os 25 mil habitantes desta charmosa vila trabalham silenciosamente para o visitante, que verá a diferença com sua encantadora hospitalidade. O lugar possui uma excelente infra estrutura turística, com todos os níveis de hospedagens e também os mais variados restaurantes. Não deixe de saborear uma "parrilla".
Bem próximo da cidade é possível pedalar pelas mais variadas trilhas de mountain bike.


Artigo e fotos: Paulo de Tarso

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